Educar para o Séc. XXI



As crianças desta geração estão enfrentando muitas dificuldades, grande parte delas novas para nós, pais, educadores e cuidadores, que fomos criados de forma diferente. Não é justo generalizar, mas esta é a geração de filhos cujos pais estão sempre ocupados e cansados (me incluo nesta lista), e consequentemente sem paciência para brincarem com os filhos à noite, horário no qual a maioria das famílias se encontra. A culpa gerada por essa ausência (mesmo que de forma inconsciente), faz com que os filhos sejam “compensados” com bens materiais e com a permissividade para realizarem o que quiserem, de modo que as crianças passaram a tomar as decisões da família. Hoje os filhos definem para onde irão viajar, o restaurante onde irão almoçar, a casa onde vão morar, etc. Sentimos que os pais, mesmo de crianças muito pequenas, perderam o domínio da situação.

Recentemente a Psicóloga Rosely Sayão, especialista em família, afirmou que os pais desta geração têm um receio enorme de desagradar, por culpa e medo de perder o amor dos filhos. O problema é que antes do amor precisa vir o respeito! Ninguém ama quem não respeita, nem mesmo os pais. Saímos de um modelo de família ultrapassado, no qual os pais não se preocupavam com a opinião dos filhos, e partimos para uma liberdade excessiva, jogando fora até o que havia de bom no modelo anterior, como o respeito dos filhos para com os pais. Precisamos chegar a um modelo de educação que respeite a subjetividade, as crenças, as diferentes visões de mundo e a nova forma de aprender, de lidar com o conhecimento das crianças e adolescentes da geração do Séc. XXI, mas é fundamental não perder o papel de pais. Uma coisa é dialogar com os meus filhos, conversar sobre assuntos reais, pedir a opinião deles sobre algum aspecto, mas sair da posição de pai e de mãe para se tornar amiguinho, é um grande engano. Ninguém pode substituir um pai ou uma mãe, mas o papel de amigo qualquer um pode ocupar... Refletindo sobre isso conseguimos ter noção do risco ao qual estamos submetendo nossos filhos, eles estão crescendo sem referência, sem regras, sem lei, achando que podem tudo, indistintamente.

Com mestrado em Saúde Coletiva e Doutorado em Psicanálise, Rossandro Klinjey afirma que a pessoa que é criada sem regras e recebe tudo o que pede não dá certo em nada, nem afetivamente, nem intelectualmente, nem financeiramente. Tornam-se pessoas extremamente egoístas ainda na infância e possivelmente serão adolescentes ansiosos, infelizes, deprimidos, ou até pior, cruéis. Porque se revoltarão com uma vida que nem sempre é favorável, e que não diz “sim” o tempo inteiro. É uma afirmação forte, mas real.

E o que fazer para mudar esta realidade? Não existe manual quando o assunto é educação. As mudanças de comportamento aconteceram em um ritmo tão intenso que não há registros em livros para o que nossos filhos estão passando hoje. E o que faremos para criar filhos diferentes e mais felizes? Primeiro precisamos entender que amor nunca é demais, nunca estragará uma relação. Ainda segundo Rossandro Klinjey, “o que estraga o amor é a forma infantil de afeto. Por exemplo, eu posso ser super afetuoso, eu posso dizer que amo profundamente meus filhos, eu posso brincar, fazer castelinho, sentar no chão. Mas na hora que eu emitir a função de pai, dar uma ordem, tem que ficar claro na cabeça da criança que mesmo brincando com ela, eu não deixei de ter a minha posição de pai ou de mãe, de ter autoridade sobre ela.” Ou seja, na hora que os pais disserem para

tomar banho, para desligarem os games, a TV, a criança precisa respeitar, precisa entender quem dita a ordem. Criar rotina junto com a criança é uma atitude estruturante, que traz a responsabilidade para ela e faz com que faça bom uso do seu tempo: a hora do banho, da tarefa, das refeições, dos eletrônicos, na ordem de importância, sem a permissão para “pular” tarefas. Mas nenhuma atitude funcionará sem a demonstração de confiança, amor e autoridade dos pais. E mais, apesar dos nossos filhos estarem expostos a todos os tipos de influência, somos nós quem decidimos o que entra na nossa casa, o principal local de referência para eles. Então que, pelo menos em casa, eles tenham acesso às boas músicas, ao respeito ao próximo, aos programas de TV adequados, aos jogos infantis, etc. Fugir daquilo que não concordamos não é solução, não poderemos prendê-los e nem poupá-los de tudo o que julgamos ruim ou incorreto. A solução é prepará-los, fazer com que sejam pessoas autoconfiantes, promover a saúde física e emocional.

Como?

  • Criando rotinas de atividades, cobrando e responsabilizando as crianças pelo seu cumprimento.

  • Perguntando aos filhos se há algo (dentro da realidade da família) que possa ser feito para melhorar a relação entre vocês. Um exemplo é não usar telefone durante as refeições, deixar o celular guardado à noite (para não cair na tentação do whatsapp) até que as crianças durmam.

  • Promovendo pelo menos um passeio semanal em família (apenas o núcleo principal), e não vale ir a um shopping e nem olhar o tempo inteiro para o telefone.

  • Controlando o tempo na TV e nos demais eletrônicos – Máximo de duas horas por dia. Esta é a recomendação da OMS.

  • Levando para dentro de casa músicas boas, cultura, filmes em família – sabemos que estarão expostos, mas não perceberão o estímulo vindo dos grandes exemplos que os pequenos tem para a vida deles.

  • Fazendo as alimentações sentados à mesa, pelo menos uma vez por dia. - Através do princípio da mesa, a autora Devi Titus, Norte-Americana, escritora reconhecida sobre o comportamento em a família, destaca que o simples hábito de sentar-se à mesa e compartilhar a refeição faz com que o indivíduo crie valores considerados fundamentais para vida familiar e social. “Não existe experiência de vida que substitua a conexão e o significado criados ao comermos juntos, à mesa”, resume ela. O importante é a troca de afeto, que refletirá em todas as suas relações. Além do aspecto emocional, sentar à mesa para fazer as refeições em família reduz a possibilidade das crianças desenvolverem vícios como fumar, beber ou usar drogas. Essa informação é da revista Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine, que desenvolveu um estudo com crianças de 11 a 18 anos, no ano de 2004.

  • Permitir e proporcionar a brincadeira de criança para os pequenos – Se a criança não tiver a chance de brincar com a vida, fazer besteira, fantasiar, na infância, a probabilidade disso virar uma demanda na adolescência é muito grande.

Já não podemos ser os pais radicais de antigamente e criarmos nossos filhos pelo autoritarismo. Mas uma coisa é certa: amor não se mendiga, respeito muito menos. Precisamos amar nossos filhos sem cobrar nada em troca, sem esperar o reconhecimento por este amor, mas exigindo o respeito. Na infância e na adolescência o reconhecimento possivelmente não vai acontecer, é imaturidade dos pais esperarem por isso. A culpa, a pena e a insegurança tem que sair da cabeça do pai e da mãe, ou pelo menos não podem ser percebidos pelo filho. Porque a junção de uma geração que argumenta o tempo todo, que pede explicação para tudo, e que vive dizendo o que é ou não justo, com pais inseguros, é o caos completo na educação. Acima do filho argumentador e sabido, precisa haver um pai e uma mãe sem pena de ouvir e ver o filho chorar, sem pena de dizer “não”, e de finalizar uma “insistente súplica” do pequeno com a frase “Porque não, e acabou! Não falamos mais nesse assunto!” (e não falar mesmo, por mais que doa).

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