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É comum nos reunirmos com pais para falarmos sobre o “processo” que envolve a execução das atividades que a escola manda para casa.

Primeiramente, é importante sabermos que carregamos o peso com essas tarefas desde o começo do século passado. Foi lá que nasceu a péssima relação desse dever, como punição aos alunos que não se comportavam.

 

O mundo mudou, mudanças significativas para o desenvolvimento da humanidade aconteceram em diversas áreas. Quem poderia imaginar a existência de uma impressora 3D ou de games controlados pelos movimentos do corpo? E na medicina? Cirurgias feitas com o paciente acordado, o avanço no conhecimento do cérebro e os estudos sobre DNA e genética, que praticamente personalizam o atendimento médico. “Talvez estejamos testemunhando o nascimento de uma nova era, que no futuro venha a se chamar de Século da Genética. A escolha do medicamento ideal, realizado de acordo com o perfil genético do paciente” (SOUZA, Valdomiro. Projeto Genoma Humano. São Paulo: Loyola, 2004).

 

Levando em consideração que a relação entre educação e cultura é fundamental, uma vez que ambas se complementam e envolvem o ato de ensinar e de aprender em todas as dimensões da vida social, percebemos que algo está desconectado, as linhas do tempo não evoluíram de forma sincronizada nas diversas áreas que compõe uma sociedade, uma pena.

As consequências para a área da educação? Crianças com cansaço, fadiga, estresse e alguns distúrbios desenvolvidos pelos excessos de cobrança, de estímulos, de compromissos, de atividades, de exigência etc. E é exatamente neste contexto que se enquadram as tarefas de casa, nos excessos.

 

De um lado, pais que (na maioria) trabalham fora e contam nos dedos as horas por dia que conseguem ficar com os filhos. De outro, crianças mais ágeis, com muitas informações na cabeça, com estímulos extras por causa dos eletrônicos e lotados de afazeres. Ou seja, as crianças não têm tempo para serem crianças, e não conseguem se concentrar em uma atividade mais pacata (como a tarefa de casa) ou ficar sem fazer nada, que logo se sentem entediadas.

 

Contudo, como diz Marta Pires Relva, professora de neurociência e aprendizagem da Universidade Cândido Mendes – AVM Faculdade Integrada (RJ): “O cérebro precisa de um tempo para assimilar individualmente o que foi aprendido em sala de aula. Quando a criança está na classe, o nível de fixação é outro, e é lá que ela tem que aprender”. Portanto, para as crianças de hoje, as tarefas de casa, decididamente, não podem ser volumosas e entediantes como as de antigamente, porque não queremos que nossos filhos se sintam castigados com algo que deveria ser apenas uma ratificação do aprendizado visto em sala de aula, uma acomodação do conhecimento, e que deve ter período de realização diferente, de acordo com a série e com o funcionamento e rotina de cada criança.

 

Uma coisa é certa: a tarefa de casa não deve ser motivo de estresse para a família. Se está sendo, algo está errado, e juntos, escola e família, precisamos agir. Enganam-se sobre o processo de aprendizagem, os pais que adoram deixar os filhos estudando e fazendo lições de casa uma tarde inteira, ou pior, quando isso acontece com a ajuda de um professor “particular”, sem que a criança tenha um déficit cognitivo, ou quando a criança deixa de frequentar uma festa do amigo ou um almoço em família porque está estudando. “É importante entendermos que a aprendizagem é um mix de memória, atenção, concentração, interesses, desejos, estímulos intrínsecos (neurotransmissores/hormônios) e extrínsecos (informações externas do ambiente) que permeiam a mente e o cérebro humano.”, diz Marta Relva.

Então, qual é a medida? Como fazer para ajudar a criança a aprender e ganhar autonomia sem que isso seja estressante para ela e sua relação com os pais?

Levando em consideração que estamos falando de uma criança que tem seu desenvolvimento dentro do esperado para a idade, sem maiores dificuldades de aprendizagem, algumas ações são muito eficazes:

  • A partir do Ensino Fundamental a palavra de ordem é autonomia. Autonomia para tomar banho, trocar de roupa, amarrar os sapatos, se alimentar e fazer as tarefas de casa. Porém, não podemos confundir autonomia com abandono. Tudo deve ser acompanhado, supervisionado, comemorado.

  • A cada série devemos aumentar um pouco o tempo de realização das atividades (que devem começar com 20/30 minutos), bem como a cobrança pela responsabilidade de fazer a atividade, e mais tarde, no 3º ano, determinar um tempinho para leitura daquilo que foi visto em sala, após a realização das tarefas. E assim por diante.

  • Se o uso dos eletrônicos for indispensável durante a semana, não deve ser feito uma hora antes das atividades de casa, porque o cérebro estará com excessos de estímulos, e nem uma hora depois para que a informação passe pelo período de acomodação.

  • Cada criança funciona de uma forma. Escolha a melhor hora para o seu filho fazer as tarefas, e organize para aconteça sempre na mesma hora, em local claro e livre de estímulos (TV, som, celular, imagens nas paredes, etc.).

  • Responsabilidade e rotina. Depois que o melhor horário para começar a fazer os deveres for estabelecido, demonstre firmeza. Seu filho deve saber que pode fazer consultas ou perguntar a algo que não entenda, mas sentará sozinho para fazer aquilo que é tarefa dele.

  • Quando notar que a criança está cansada (diferente de com preguiça), proponha um descanso de dez minutos. Assim poderá voltar com mais concentração aos deveres.

  • Comemore as vitórias, inclusive comportamentais. Premie seu filho pelo seu esforço, dedicação e pelo cumprimento dos seus deveres semanais. Isso não pode acontecer com um bem material, mas vale uma sessão de cinema, um passeio para tomar sorvete, uma pizza no meio da semana ou até fazerem um acampamento na sala ou todos juntos em um único quarto da casa. Tenham certeza de que será inesquecível.

  • Se a criança não souber fazer a tarefa, não faça por ela em hipótese alguma. Diga para levar de volta para a escola e informar a professora que não conseguiu.

 

Por fim, e não menos importante, esteja disponível para revisar os deveres. É uma forma simples de demonstrar que você está interessado em saber como andam as coisas, seu filho ficará feliz e a escola saberá que não está sozinha.

 

 

 

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