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Defict de atenção e uso do celular

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     Segundo um texto publicado pelo Pop Sugar e PsichCentral,  uma pesquisa realizada pela Universidade de Indiana revela que “Pais que passam as horas livres com os filhos de olho no celular, especialmente nos primeiros anos de vida, podem contribuir para que a criança desenvolva o déficit de atenção”.  E devo pontuar que isso faz muito sentido, pois o fato da criança não ser olhada parece fazer com que ela se perca no tempo e no espaço, pois o olhar que deveria fundar esse sujeito, que aprende a se reconhecer na imagem, que o Outro organiza para ele, deixa de existir.

 

         Os primeiros três anos de vida de uma criança são responsáveis por muitos dos comportamentos que serão desenvolvidos nas fases seguintes. Pois, essa é a fase de fundamentar o Sujeito no campo da linguagem, de banhá-lo de significantes desde o momento em que nasce. O simples ato de ser alimentado, seja no peito ou de outras maneiras, necessita de um momento de contato físico e visual entre a criança e o seu cuidador. Essas relações vinculares são responsáveis pelo tipo de relação que esses pequenos seres desenvolverão com o meio, com a aprendizagem e com a afetividade. Não podemos esquecer que as primeiras aprendizagens ocorrem pela exploração tátil e oral. Ter as mãos e os olhos livres são de fato, fundamentais.

 

        Chamou-me atenção outro dia, ouvindo um pai relatar que sua filha nasceu prematura e estava internada na UTI, e que todas as vezes que ia visitá-la tirava uma foto sua, e ficava impressionado como ela focava o celular. Isso nos dá um pequeno indicativo de como a criança busca aquilo que, na verdade, é importante para nós, pais, e o que nossos próprios olhos focam - a tela. É isso que a criança vai buscar cada dia mais precocemente, deixando de vivenciar experiências fundamentais para um sadio desenvolvimento infantil. Uma criança, nessa etapa da vida precisa experimentar concretamente os objetos, e o primeiro objeto é o corpo do outro, corpo que acalenta, alimenta, olha e interage com ela. Mas, se tudo o que os pais focam agora é a tela do celular, para onde essa criança vai olhar?

 

          É assustador o número de crianças diagnosticadas com TDAH (Transtorno e Déficit de Atenção e Hiperatividade), transtorno neurobiológico que pode ter predominância na desatenção ou na hiperatividade, ou pode combinar os dois. É um diagnóstico difícil de ser fechado, pois muitos fatores estão envolvidos. Seus sintomas aparecem antes dos 7 anos, no entanto, há reservas quanto a se emitir um diagnóstico mais preciso. Algumas pesquisas apontam que já atinge 11 por cento das crianças.

 

        A hiperatividade mental e corporal é preocupante, por isso mesmo, temos que tomar cuidado com o tipo de estímulo oferecido às crianças. Há muita ânsia de antecipar estímulos que são desnecessários para a faixa etária. E não precisam ficar preocupados, não estaremos criando nenhum ET se a criança não ficar ligada nos eletrônicos, ou se não ficarem excessivamente sabidos. Estaremos criando, sim, uma criança que saiba pular, correr, brincar, que consiga perceber o que está ao seu redor; que saiba desenvolver a capacidade empática, que gradativamente vá aprendendo a controlar o seus impulsos de acordo com o seu nível de maturidade e que se tornará menos ansiosa e mais atenta.

 

        Ouço com frequencia que as crianças capazes de ficarem sentadas em frente a uma TV, ou de um tablet e vêm um filme todo são crianças muito concentradas, ou até mesmo as que jogam horas seguidas, gostaria de alertar, que isso não é um parametro interessante de avaliação se a criança não se concentra com mais nada além desses fatores. Dessa forma, o cérebro acelera e o corpo se acomoda, mas num momento depois o corpo se acelera e o cérebro não consegue desacelerar.

 

       É interessante que as crianças sejam ativas e curiosas, que consigam ouvir uma história, que sejam capazes de iniciar e terminar uma atividade, que desenvolvam o planejamento motor e que se localizem no espaço.

 

         Quero desde já esclarecer que não sou contra a tecnologia, pelo contrário, se bem usada ela nos capacita de muitas formas. Temos informação a tempo e a hora que quisermos o mundo agora, cabe na palma da mão. Só não podemos perder a essência de criarmos seres capazes de olhar nos olhos, de interagir, de amar e desenvolver a capacidade de aprender a aprender.

 

 

        Deixo aqui um convite para os pais: de olhar e permitir ser olhado por seu filho, seja através de uma brincadeira ou de um toque de carinho. Reservar um momentinho todo dia, livre dos celulares, vai fazer muito bem!

 

*Texto escrito por Rita Simone R. C. Amado – Psicóloga Clínica e Escolar, Neuropsicopedagoga, Especialista em Educação Infantil. Recife, 20.08.2018

Fontes: Pop Sugar e PsichCentral 

 

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