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Limite para que?

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Atualmente, dizer não a uma criança configura um fantasma na cabeça dos pais. Como interditar um ato de rebeldia? Vou traumatizá-la? Como estabelecer limites para uma criança? Como uma criança tão pequena consegue controlar uma família inteira?

 

Tem sido comum observar que quem manda e direciona a família no mundo pós-moderno é a criança, com suas vontades e criando suas próprias regras. Que poder essas pequenas criaturas desenvolveram! O paradoxo é que, por outro lado, frequentemente vemos crianças frágeis e sem o menor suporte para lidar com qualquer tipo de frustração. Consequentemente, não há suporte para aguentar choros e crises de birra, então a família cede aos desejos para não contrariar, não suportar o choro ou qualquer manifestação expressa pela criança. Quem nunca assistiu ou vivenciou uma crise de birra em pleno Shopping Center?

 

Furtado e colaboradores (Artmed, 2009, Porto Alegre) nos dizem que limites são regras, combinações, atitudes que determinam aquilo que se pode ou não fazer, incluindo o reconhecimento que os nossos atos têm consequências.

 

Então, se não reconhecemos os nossos próprios limites, como estabelecer limites para o outro, mesmo que este seja uma criança ou um adolescente?

 

As relações históricas e sociais foram causando sequelas para essa célebre confusão atual. Quem manda aqui? Há um equívoco de quais papéis cada um assume dentro da família pós-moderna, as relações de autoridade são frequentemente evitadas, como se isso fosse a melhor maneira de escapar de um conflito familiar, a horizontalidade mantida pela família deixa em dúvida a definição de papéis claros e estruturantes para a formação do Ser. Os filhos mandam nos pais e estes obedecem aos filhos. Procuramos ser mais “amigos”, mas, infelizmente, deixamos de ser pais e mães. Em alguns momentos, esses papéis ficam confusos e é preciso ter discernimento entre ouvir, acolher e entender necessidades e falas das crianças.

 

Ninguém quer encarar um conflito, no entanto, eles são extremamente necessários e benéficos. Sem conflito não há crescimento, não se cria suporte para frustração, não se tira ninguém da zona de conforto, não se abre a porta da aprendizagem, do crescimento. Encarar conflitos é fortalecer o sujeito para enfrentar o mundo e seus novos desafios. Apesar de todas as controvérsias de hoje, precisamos aceitar que dizer “NÃO” é estruturante, como você vai estabelecer o “não” é outra questão. Explicar tudo, dizer tudo, tentar se justificar o tempo todo, coloca os pais numa atitude culposa diante dos filhos, pois a emoção é um forte componente gerado nesses momentos. Dialogar é um caminho importante, desenvolver a capacidade empática e avaliativa de uma situação nos coloca em um caminho de evolução constante. É comum ouvirmos: “Trabalho demais, então deixo o meu filho fazer tudo o que quer!”, “Tadinho, fica sem mim o dia todo e quando chego ainda vou reclamar?”, “Que mal tem comprar um presentinho todo dia?”. E por aí vai…

 

Freud nos diz que nas primeiras idades vivemos e buscamos o chamado “Princípio do Prazer”. Tirar qualquer indivíduo desse estágio e trazê-lo para o princípio da realidade é doloroso, ainda mais no mundo das aparências, onde tudo tem que parecer perfeito. Conviver com a autoridade é bem diferente de estabelecer uma relação de autoritarismo, pois a primeira desenvolve o respeito, aquele necessário para a convivência social; o segundo, nos coloca uma imposição, não respeitando o desenvolvimento da autonomia. Estabelecer limites claros e concisos não causa trauma a ninguém! Pelo contrário, direciona os filhos para o desenvolvimento dessa autonomia.

 

Repensar e discutir todas essas questões é importante não apenas para as famílias, mas para a Escola como uma instituição que recebe essa criança e sua família. Criar uma relação baseada no respeito, na geração dos vínculos afetivos, no acolhimento, entendendo a expressão dos sentimentos, acolhendo e resolvendo o que chega até nós é um exercício de amor diário para o desenvolvimento dos 4 Pilares básicos da educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, a viver juntos, e o que considero o mais importante: o aprender a ser.

 

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